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tempo de navios desabitados
esta fala silenciada pelas âncoras

o corpo que pende das mãos
de um deus que não
se agita feito o mar

a sede de quem se move
entre as águas

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8

não abandonaremos a casa
tampouco a memória das chuvas

as plantas que abraçaram os muros
a precariedade dos telhados

há um novo deserto para tudo

6

querer o pássaro ainda que raro
as mãos que fabricam a aurora

partiremos nas manhãs de agosto
os olhos ancorados nos telhados
o mar entre os dentes

à sombra do álamo
teremos tudo