16

como não sucumbir às sombras

que fazem escurecer  o dia

ao ruído, mínimo, que é cruzar a porta

 

[essas coisas que rompemos com as mãos]

 

uma noite apenas

para tanta fome

 

e um céu

como se falássemos

Anúncios

15

um rio que seja para esta fome de raízes

não saberemos da morte
do seu rosto exposto ao sol
ou da memória que vestirá nossos ombros

como a água que se move
eu tenho pressa

13

 

falaremos da luz que invade a casa

 

e dos abismos que se instalam

todas as manhãs

nos andaimes que cercam a rua

 

sobretudo das raízes que lançamos

para encobrir a noite

 

e dos mortos

que nunca dormem